
Sobre
A música chegou cedo. E ficou.
Tinha 15 anos quando ganhei meu primeiro violão. Até aquele momento, não sabia que a música já morava em mim. Bastou ter o instrumento nas mãos para alguma coisa despertar. Sem aulas, movida pela curiosidade e pela intuição, comecei a descobrir acordes, melodias e, principalmente, uma nova maneira de dizer o que sentia.
Sou Sandra Bernardo, cantora e compositora carioca. Minha música nasceu desse encontro espontâneo e foi crescendo entre influências que ajudaram a formar minha identidade artística — nomes como Angela Ro Ro, Marina Lima, Cazuza e Adriana Calcanhotto, entre outros artistas que fizeram da palavra, da personalidade e da emoção elementos essenciais de suas obras.
O blues sempre teve um lugar especial na minha formação, mas nunca gostei muito de fronteiras. Gosto da liberdade de misturar referências e deixar que cada canção encontre seu próprio caminho. Mais do que seguir um gênero, procuro imprimir às minhas composições aquilo que considero indispensável: verdade, emoção e personalidade.
Em 1980, integrei o Bazar dos Baratos, grupo que reunia música e poesia. Depois, vieram os palcos de bares do Rio de Janeiro com a Banda Gata de Rua, cujo repertório era construído, em grande parte, a partir das minhas próprias composições.
O tempo passou, a vida trouxe outros caminhos, mas a música nunca foi embora.
Hoje continuo compondo e cantando com a mesma liberdade daquele primeiro encontro com o violão — talvez com mais histórias para contar, mais lembranças, mais afetos e uma compreensão diferente sobre o que significa transformar sentimentos em canções.
Porque, para mim, compor é isso: dar voz ao que, muitas vezes, a gente sente, mas não consegue dizer.
E a música continua aqui.
Não mais escondida — agora, querendo ser ouvida.